terça-feira, 11 de novembro de 2008

Mais um poema de "Pegadas de Vento", livro de poesia de Maria João Saraiva de Menezes

NÃO VÊS, MÃE, QUE SÓ A POESIA ME SALVA


Não vês, Mãe, que só a poesia me salva
de viver? Porque teimas em embalar-me
nos teus braços que outrora foram
a maior das fortalezas? Hoje, já nada
me pode proteger. Não vês que tomei consciência
da minha vida? Não vês que já não posso acreditar
nas histórias de magos que me contavas?
Como eu gostaria de ainda poder acreditar!
Hoje, tenho medo
dos teus frágeis braços, Mãe
Tenho medo das histórias
que me contavas e em que tu própria acabaste
por acreditar, para mim
Quem me dera poder eu contar-te histórias
que te protegessem, embalar-te
e dizer que já passou, que já não dói...
Mãe, Mãe, deixa-me
só, com a poesia,
madrasta
da minha
ilusão

*
Maria João Saraiva de Menezes

1 comentário:

Anónimo disse...

Estimada Maria
Agradeço a partilha. Apesar de ser um fraco consumidor de internet, quando há bons motivos também entro na rede. Vi o seu blog que é muito interessante.
Obrigado
manuel silva terra



CASA do SUL
http://casadosul.blogspot.com