quinta-feira, 23 de abril de 2009

IV PsicoSoma International Neuroscience & Special Education Congress - Livro "VASCO DAS FORÇAS, O Bullying"


Participação da autora Maria João Saraiva de Menezes
"O Bullying na infantil e na primária"
apresentando o seu livro infantil "VASCO DAS FORÇAS, O Bullying e a violência escolar",
Editora Coisas de Ler, Abril 2009, no
IV PsicoSoma International Neuroscience & Special Education Congress
VISEU, Instituto Politécnico, Aula Magna
15 de Maio 2009, às 17 horas.

"A PsicoSoma que tem uma forte componente de ligação à Educação Especial, Neurociencias e ao Desenvolvimento infantil, situa-se em Viseu, uma das cidades com melhor qualidade da Europa. No entanto, queremos mostrar que também aqui se trabalha bem e a PsicoSoma decidiu apoiar um projecto de publicação de materiais em Necessidades Educativas Especiais.
Para incentivar autores portugueses a criarem materiais práticos decidimos organizar o IV PsicoSoma International Neuroscience & Special Education Congress, congresso este que se realizará na Aula Magna dos Serviços Centrais do Instituto Politécnico de Viseu e que reunirá os melhores especialistas nacionais e alguns internacionais nestas áreas. Pretendemos também aqui criar sinergias de investigação internacional e nacional entre os convidados presentes e os participantes.
Este evento tem a certificação científica da Interamerican Academy of Applied Cognitive Neurosciences e a certificação de formação profissional pela empresa PsicoSoma."
Editora:
Resumo da intervenção da autora no congresso:
O BULLYING NA INFANTIL E NA PRIMÁRIA
por Maria João Saraiva de Menezes,
escritora, professora e mãe

"Foi-me proposto elaborar uma intervenção a propósito do lançamento do meu livro infantil intitulado: “Vasco das Forças, o Bullying e a violência escolar” da Editora Coisas de Ler, Abril 2009, Lisboa. Assim, a minha intervenção não será no sentido clínico e na abordagem psicológica em que o tema do Bullying deve ser enquadrado, para um estudo aprofundado do fenómeno. O que me foi pedido coloca-se no sentido de mencionar as motivações que me levaram a escrever este livro. Afastar-me-ei, então das considerações psicológicas sobre o bullying e centrar-me-ei apenas nas motivações práticas, isto é, do meu envolvimento enquanto professora, mas sobretudo enquanto mãe e educadora. Com efeito, desde cedo me apercebi deste fenómeno da violência escolar, que assume contornos de insulto, mentira, boatos, intimidação, ameaça, gozo, troça, exclusão social, exclusão de actividades / brincadeiras de propósito e discriminação pela cor da pele, religião, etc., assim como, em casos mais graves, de roubo, extorsão, agressão física, dano de objectos, utilização de armas, comentários ou gestos ordinários, e /ou piadas sexuais, abuso ou assédio sexual, tal como referem os autores da obra VIOLÊNCIA, BULLYING E DELINQUÊNCIA, Editora Coisas de Ler, Lisboa, Janeiro 2009, (Margarida Matos, Jorge Negreiros, Celeste Simões e Tânia Gaspar). Segundo estes autores, o conceito de bullying / provocação apareceu como resposta à necessidade de caracterizar um tipo particular de violência ou agressão na escola, que ocorre entre pares. Um aluno está a ser vítima de bullying / provocação quando está exposto, repetidamente e ao longo do tempo, a acções negativas da parte de uma ou mais pessoas. Esse comportamento tem a intenção de provocar mal-estar e sofrimento, acontece repetidamente e pode durar semanas ou anos. Fora da minha experiência e abordagem, ficará também a mais recente manifestação deste fenómeno, denominada cyberbullying, que muito tem contribuído para intensificar a dor da vítima e a crueldade do agressor, levando mesmo a casos de suicídio na adolescência.
Antes de prosseguir, e caso não seja feita uma abordagem específica ao fenómeno do bullying, devo registar a seguinte informação, por ser da máxima importância, recolhida da obra acima referida. Trata-se do estudo que define o perfil da vítima e o perfil do agressor, imprescindível para que todos os educadores (pais, professores e auxiliares) estejam atentos a todos os sinais.
Assim, o perfil da vítima define-se por: baixa auto-estima, ansiedade/medo/fobias, sintomas físicos (dores de estômago, etc.), sintomas psicológicos (tristeza, etc.), isolamento social / timidez, angústia, stress, dificuldades de concentração, atenção e de aprendizagem, fraco envolvimento ou mesmo abandono escolar, propensão para o suicídio e família monoparental.
Por seu turno, o perfil do agressor define-se por: extroversão, desejo de domínio, poder e intimidação, atitude tirânica recorrente, atitudes delinquentes, desrespeito pelas normas / direitos dos outros, fraco envolvimento escolar e com os professores, baixo rendimento escolar e elevada auto-estima. Geralmente, a maioria dos agressores são fortes e apresentam idade superior à média do grupo.
Especificada a parte técnica, passemos às motivações que me levaram a escrever um livro sobre o bullying para a faixa etária dos 5 aos 11 anos.
Quando escrevi o meu livro “30 Conselhos para educar o seu Filho”, Plátano Editora, Lisboa, Novembro 2007, dediquei-o aos meus filhos, “a fonte da minha sabedoria”. Penso que se estivermos atentos, enquanto pais, aprenderemos muito mais com os filhos do que o que esperávamos à partida. De facto, temos muito para dar: valores, cultura, educação, formação moral, exemplo de carácter…, mas temos um mar de aprendizagens que nos surpreende em plena idade de certezas. Por esta mesma razão é que me assumi desde logo, na apresentação deste livro, não como especialista, mas como MÃE.
É, pois, como MÃE que fui impelida a escrever um livro sobre o bullying para o meu filho de 6 anos. O título não poderia deixar de falar do meu herói, o meu filho Vasco, enquadrando-o no exemplo que a história da nossa família deixou na personagem mitológica do meu bisavô, designado “Saraiva das Forças” pela pena de Trindade Coelho no seu livro “In Illo Tempore”. Assim, reforçando a mensagem de que a força está na imaginação, nasceu o livro “Vasco das Forças”, para levar o meu filho a ultrapassar o facto de ser o menino mais pequeno da sua turma. Embora não tenha sido propriamente a vítima típica de bullying, graças à atenção cuidada das suas educadoras, sei o quanto o incomoda ser da estatura dos meninos de 4 anos. Felizmente, o seu perfil psicológico não acompanha o lado físico franzino e a sua dinâmica levou-o a ultrapassar aquilo que poderia começar a delinear-se como um complexo e factor de exclusão social. O livro é o testemunho desse estigma e ergue-se como prova de vitória! Mas é, acima de tudo, uma motivação que quero legar a pais e filhos, professores e alunos, para denunciarem e vencerem o bullying. Todos conhecemos casos terríveis de suicídios e flagelos provocados por este fenómeno, após uma infância marcada por “perseguições” e uma adolescência que se instala de rompante, por vezes em luta desigual com uma família monoparental ou problemas de outra ordem.
Mas voltando ao contexto do livro, devo dizer que me motivou o sentido de humor do meu bisavô, sentido esse que, por vezes, pode ser o suficiente para desarmar o agressor. Nesta idade, as coisas simples podem ter uma grande força. O Vasco da história e o da realidade não queria ir à escola porque gozavam com ele. Gostava de aprender, mas sentia terror quando tocava a campainha para o recreio. Por essa razão, passou a não se concentrar nas aulas. Como todas as vítimas de bullying, se os pais não estão atentos, elas fecham-se no seu medo, transformando-o num terror, qual monstro que cresce à medida do silêncio. É preciso, pois, quebrar esse silêncio, observar as suas atitudes, as suas noites mal dormidas, a sua falta de apetite ou irritabilidade. Pais atentos sabem imediatamente que algo de mal se passa com o seu filho quando estas campainhas tocam. Há que agir, primeiro de forma subtil, levando a criança a abrir-se e a confessar a sua ansiedade. Depois, há que recorrer a exemplos heróicos. No caso de uma criança com deficiência física, por exemplo, não faltam casos de heróis que venceram, apesar das suas limitações. No caso do meu filho Vasco, surgiu a memória do seu trisavô.
“Vasco das Forças” é o herói pequenino perseguido por alunos mais velhos que zombam dele por pressentirem nele o perfil da vítima de bullying. A cada intervalo, perseguem-no com injúrias, troçando da sua estatura física e da sua fraqueza. Estes argumentos corroborados pelo agressor, ao longo da formação do carácter da criança são demolidores da auto-estima e do ego. A longo prazo, a vítima torna-se assustadiça, susceptível, frágil. Troçando de um defeito físico, o agressor consegue tornar esse defeito num entrave psicológico, moral, relacional. Dá-se uma viragem na personalidade, por vezes, irreversível.
O “Vasco das Forças” é uma história simples sobre a vida difícil de qualquer miúdo da infantil ou da primária quanto se torna perseguido e vítima de chacota. No entanto, havia uma mãe atenta, reforçando-lhe o carácter e a imaginação através das histórias fantásticas do seu trisavô. Vasco estava sozinho no seu silêncio, mas a família e a escola abriram-lhe janelas de força, levando-o a equacionar uma solução, passo a passo, através do corredor do sofrimento. “Vasco das Forças” recuperou a confiança em si próprio, a partir do momento em que abriu a porta para a sua força. As portas estão lá: somos nós, os educadores, que as colocamos através da educação, da motivação e da nossa dedicação afectiva. É um pouco como dar a cana e ensinar a pescar. Todos sabemos que o bullying é um fenómeno que definha quando a vítima se torna capaz de “dar a volta” ao problema, por seus próprios meios. Assim, prova que não é fraca, dá o seu grito de guerra e ganha o respeito de todos, tal como aconteceu com o “Vasco das Forças”. Nesta história, não houve intervenção directa dos adultos na resolução do problema. Foi muito importante levar o Vasco a ultrapassar sozinho o fenómeno e a vencê-lo. Todos sabemos que em casos de bullying na adolescência, a intervenção dos adultos é quase “impensável” quer do ponto de vista da vítima quer do agressor. Parece-nos chocante constatar esta realidade, mas a vítima fecha-se no terror das ameaças (por vezes por SMS ou e-mail) e o agressor fortalece-se perante o pacto tácito de silêncio. É nessas situações que acontecem tragédias, por a vítima se sentir demasiado frágil, demasiado vulnerável, encurralada. Este aparte sobre a adolescência não pretende ser agora aqui analisado. Apenas surge como futura consequência do alastrar do fenómeno a partir da infância. Ora aqui, sim, penso que é importante ensinar a pescar e levar as crianças a não recorrerem sempre aos adultos para solucionarem os seus problemas sociais. Contudo, é muito importante que, desde logo, na infantil, os adultos estabeleçam regras bem firmes em relação à possibilidade da ocorrência de bullying. Por isso, é tão importante que se realizem nas escolas primárias, as Assembleias de turma, onde, à semelhança de uma sessão de deputados, são expostos e debatidos os problemas decorridos no recreio durante cada período. Votam-se procedimentos, tomam-se notas de melhorias a implementar e as crianças sentem que estão num lugar com Lei, protegidas pelo olhar vigilante dos educadores.
Prevenir o bullying é, por isso, falar abertamente com as crianças desde cedo sobre esse fenómeno. É ensiná-los a abrirem as tais janelas e portas da auto-estima, da defesa pessoal, da imaginação, do sentido de humor, da formação do seu carácter. E de ter sempre pais prontos a ouvi-los."

Lisboa, 29 de Abril 2009
PROGRAMA DO CONGRESSO:

2 comentários:

Anónimo disse...

Ex.mo(a) Sr.(a), Dr. Maria Menezes
Antes de mais, a PsicoSoma agradece toda a atenção dispensada.
Assim, somos a tratar os seguintes pontos:

1. Agradecemos o seu envio.

2. Quanto ao resumo consideramos ser de excelente qualidade e adaptado a conferência.

3. Terá entre 30 a 45 minutos para a sua intervenção.

4. Qualquer dúvida não hesite em contactar

Sem mais assunto, despedimo-nos respeitosamente com cordiais saudações psicossomáticas,


Julien Diogo
Dep. de Empresas/PsicoSoma Entreprise Dep.
T. +351 232 431 058
F: +351 232 431 059
comercial@psicosoma.pt

Anónimo disse...

Antes de mais, a PsicoSoma agradece toda a atenção dispensada.

A PsicoSoma vem por este meio agradecer a sua presença no IV PsicoSoma International Neuroscience & Special Education Congress que se realizou em Viseu, nos passados dias 14 e 15 de Maio.
A PsicoSoma procurou trazer a cidade de Viseu, os melhores profissionais da área da Educação Especial e Neurosciência, de modo a dinamizar, despertar e apresentar conhecimentos, experiencias e conteúdos da temática a todos os interessados, considerando que tal, apenas foi possivel graças à sua valiosa e cientifica intervenção.
A PsicoSoma faz um balanço muito positivo do Congresso, dois dias de apresentação, divulgação, e debate que permitiram mais uma vez reforçar a posição e importânica da Educação Especial e Neurociência na comunidade quer escolar, quer social.
Assim, queira aceitar os nossos mais sinceros agradecimentos, bem como o desejo de sucesso profissional e pessoal, para os quais poderá sempre contar com a PsicoSoma.

Sem mais assunto, despedimo-nos respeitosamente com cordiais saudações psicossomáticas,

Toda a Equipa PsicoSoma