terça-feira, 25 de maio de 2021

Publicação de 'ANAMENTIROSA' e 'INÊS E A ÁRVORE AURORA'

Maria Saraiva de Menezes é publicada em breve pela Tecto de Nuvens com dois livros, um infantil, outro para adolescentes:
ANAMENTIROSA, Uma história para adolescentes Este é um conto para adolescentes, porque parece que muitos escritores se esquecem deles na literatura. Resolvi dedicar-lhes uma história culta, como são ou querem tornar-se muitos adolescentes. Sabemos que há contos para adultos e muitas, muitas histórias para crianças. Mas os adolescentes não acreditam em histórias para criancinhas. Como em tudo, eles farão dela o que quiserem, pois não há história tão boa que não se possa comer. ANAMENTIROSA era uma menina tão bonita quanto mentirosa. À semelhança de Pinóquio, cujo nariz crescia ao ritmo das mentiras que proferia, o nome de Anamentirosa também crescia à medida que ela inventava mentiras e desculpas esfarrapadas para não assumir as suas responsabilidades. Assim, o seu nome transformou-se num comboio que seguia viagem com o peso da sua bagagem. Esta podia ser uma história universal da mentira, porquanto se trata de uma interpretação das vias tortuosas que a mentira assume na sociedade humana. Alguma outra espécie será capaz de mentir? Talvez a camuflagem seja uma forma de mentira, artifício do animal que a exibe. Esta poderia ser uma história sobre um camaleão ou um bicho-pau. Mas quis a autora que fosse sobre a raça humana, personificada numa menina com nome de mentirosa e sobrenomes delirantes, transformada em crocodilo e convertida em personagem decorativa de … um BOLO. E assim, esta aventureira acabou por ser comida e engolida por entes de outra realidade. Não leiam mais. É tudo mentira!
INÊS E A ÁRVORE AURORA Este conto foi alvo de leitura encenada no Teatro Nacional Dª Maria II, em Lisboa, no Salão Nobre, a 21 Abril 2013, com a actriz Paula Mora, na rubrica Leituras Encenadas, juntamente com outro livro infantil do meu filho Vasco, ‘O Dia em que o Mundo Desapareceu’. A paixão da autora pelas árvores levou-a a escrever um conto sobre esse património valioso do qual dependemos em absoluto. Serve de consciência para a prevenção dos incêndios e valorização da Natureza na vida humana. Sinopse: Devíamos parar para pensar que sem árvores não conseguiríamos viver. Inês, a protagonista, preocupa-se com os incêndios e sente respeito e amor pela floresta. Com ela aprendemos que as árvores fornecem oxigénio para respirarmos, sombra, madeira, habitat de pássaros e insectos, flores, frutos e belas paisagens. Esta história é uma aventura que envolve e sensibiliza para a cidadania ambiental. No final do livro, há actividades lúdicas. ENCOMENDAS no sítio da editora: ou nas redes sociais da autora (@Maria Saraiva de Menezes e @História numa Garrafa)
------ A pré-venda destes livros começa hoje, Dia da Criança! 1/6/2021 Nesta modalidade, pode comprar com desconto maior, recebe autografado e dedicado pela autora e garante a sua aquisição de um livro de edição limitada. Encomende a partir de agora. INÊS E A ÁRVORE AURORA (Crianças: 5 aos 11 anos) PVP: €6 Se comprar já fica a €5 com oferta de portes. ANAMENTIROSA (Adolescentes: 13 aos 18 anos) PVP: €5 Se comprar já fica a €4,5 com oferta de portes E pode optar pelo pacote com um desconto maior; em vez de €9,50 (desconto de 10%), se comprar os 2, fica a €8 (desconto de 16%) e oferta de portes. Encomende já. Feliz Dia Da Criança!

sexta-feira, 30 de abril de 2021

Publicação de 4 eBooks Kindle na Amazon

A autora Maria Saraiva de Menezes disponibilizou 4 títiulos antigos em eBook:
A MÃE GALINHA: Pensamentos Da depressão pós-parto à depressão pós-nora. Estes são apenas dois difíceis momentos da vida de qualquer mãe galinha que vive em função do seu rebento. Parece que foi ontem que aquele ser pequenino veio ao mundo e hoje já me transformou na espécie mais obnóxia à face da terra: numa sogra! Inicialmente, este livro foi publicado pela Plátano Editora, em 2004, com o título 'O Pequeno Livro da Mãe Galinha'. Esta edição revista e melhorada está apenas disponível em eBook Kindle, agora intitulado 'A Mãe Galinha, Pensamentos'.
30 Conselhos para Educar o seu Filho Assistimos, hoje, à falência de muitas teorias sobre educação infantil. A falta de tempo e o cansaço ao fim do dia também nos levam a demitirmo-nos de pensar num plano coerente para que os nossos filhos não estejam sempre a repetir aquela asneira ou para motivá-los para áreas mais abonatórias do que chegar a casa e verem a telenovela. O que fazer? Será que já não conseguimos nada deles? Verá que sim, e basta-lhe a sugestão de algumas ideias que a autora pôs em prática, e das quais colheu resultados positivos, para lhe dar alento e modificar algumas coisas lá em casa. Verá que os seus filhos serão uma surpresa gratificante. "Pais que compensam demasiado os filhos com aquilo que o consumo lhes proporciona, estão, em última instância, a tentar substituir-se pelos brinquedos, obtendo a alegria imediata e incondicional dos filhos, mas falsa. Esta atitude prejudicará as crianças no futuro, pelos estados de espírito que já referi. Abdique, pois, um pouquinho da sua vida tão atribulada e vá buscar o seu filho mais cedo à escola (desde que ele não tenha jogo de futebol combinado com os amigos). O consumismo mascara muitas relações. É importante ver se por detrás de tudo o que você pode comprar, ainda sobra algo de si próprio para dar."
A MULHER APAIXONADA: 501 conselhos para a vida a dois Quer queiramos quer não, temos de nos adaptar a uma verdade inexorável: hoje em dia já ninguém se apaixona como antigamente. Há que ter em conta factores que advêm do progresso célere das civilizações e da evolução das mentalidades. No meio desta híbrida conjuntura, nem sempre é fácil discernirmos o nosso papel nem compreendermo-nos numa relação amorosa. Este livro ‘A Mulher Apaixonada’ ajudá-la-á a ultrapassar as primeiras dificuldades. O resto é consigo.
O Homem Apaixonado: 501 conselhos para a vida a dois Quer queiramos quer não, temos de nos adaptar a uma verdade inexorável: hoje em dia já ninguém se apaixona como antigamente. Há que ter em conta factores que advêm do progresso célere das civilizações e da evolução das mentalidades. No meio desta híbrida conjuntura, nem sempre é fácil discernirmos o nosso papel nem compreendermo-nos numa relação amorosa. Este livro ‘O Homem Apaixonado’ ajudá-lo-á a ultrapassar as primeiras dificuldades. O resto é consigo.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2020

Lançamento de 2 eBooks Kindle Amazon de Maria Saraiva de Menezes O SAUDOSISMO PESSOANO e KAFKA E A FIGURA DO PAI NO CONTEXTO DO HUAMANISMO ATEU

'O SAUDOSISMO PESSOANO, Breve ensaio sobre Poética e Teoria da saudade na obra ortónima e heterónima de Fernando Pessoa' SINOPSE: A Saudade é nosso património esotérico nacional, porquanto fez dos portugueses este povo de poetas, amantes, fadistas, marinheiros. Povo que parte mundo fora, conquistando, amando, viajando, construindo, 'poetando'. Esta é uma breve reflexão sobre aquilo que melhor caracteriza o 'ser português': a Saudade. Em Fernando Pessoa, a Saudade é essa ânsia de amor infinito, paraíso onde reina a ordem cósmica primordial e à qual Pessoa regressa poeticamente, de forma sistemática, tomando as diversas vias rasgadas pelos seus mais de 70 heterónimos, como que esmagados pelo mundo literário, constituídos pelos mais de 25.000 papéis deixados por Pessoa numa arca de madeira. Parece-nos ter sido ali, naquele bulício de escritos, que ele, efectivamente, viveu e sentiu, e que a sua vida 'real' teve pouca substância. Para Teixeira de Pascoaes, o Saudosismo é a expressão sintética da raça lusitana. Na sua obra “A Saudade e o Saudosismo”, este autor revela-nos uma filosofia da Saudade portuguesa, que apenas existe por ser portuguesa. Como proposta filosófica, Pascoaes, desafia-nos: “Estudemos o homem transcendente, o além homem, que o Português encerra. Este breve ensaio é disso uma humilde tentativa. Fernando Pessoa é o nosso leme.
'KAFKA E A FIGURA DO PAI NO CONTEXTO DO HUAMANISMO ATEU' Breve reflexão sobre o tema no âmbito da psicanálise, da teologia e da sociologia. Prefácio do Professor Doutor Albino Lopes. 2ª edição revista e melhorada. Na capa, figura uma das minhas árvores preferidas de Lisboa, a centenária Ginko Biloba, em grande esplendor outonal, em frente à Basílica da Estrela, em Lisboa. Nesta nova edição, mantenho as dedicatórias de sempre, com carinho: Para o Jorge Laranja, amigo que me emprestou os Diários de Kafka, antes de partir nas ondas do mar do Guincho. (1972-1997) In Memoriam Professor Doutor Manuel Barbosa da Costa Freitas (1928-2010)

sexta-feira, 25 de setembro de 2020

 Ainda se lembram dos incêndios devastadores na Austrália?


Maria Saraiva de Menezes representa Portugal com uma história em português, traduzida para checo e inglês, a convite do Instituto Camões de Praga. A ilustração é do talentoso português Helder Teixeira Peleja. O projecto abaixo explanado pretende obter fundos para ajudar a repovoar de árvores as áreas mais afectadas pelos incêndios, entre outras iniciativas dedicadas ao ecossistema, tal como a reconstrução de colónias animais. Todas as histórias de cada país concorrente versam sobre um animal e sua relação com o ser-humano. Amanhã será anunciado o número de países concorrentes.

Projecto: “ONCE UPON A TIME | A storybook for Australia” (from now "OUT") is a project proposal for 2020 of the EUNIC LIBRARY group of Prague with the aim of raising funds in support of Australia through the creation of a storybook with animals as protagonists taken from the European literary culture. The EUNIC LIBRARY group in Prague undertakes to promote an initiative in support of Australian nature given the latest serious devastating events that have affected the continent. In fact, the OUT project aims to raise funds to support the initiatives dedicated to the natural ecosystem. For example, the project may opt to collect economic resources to help repopulate trees in areas most affected by the fires.

PUBLIC PRESENTATION OF THE PROJECT
26. 09. 2020 - European Day of Languages: public presentation of the book  

'História numa Garrafa' na prisão

 A 'História numa Garrafa' foi lida e ouvida pelos alunos do Estabelecimento Prisional do Montijo. 

21 Janeiro 2020



A 'História numa Garrafa' levou as suas pequenas histórias ao Estabelecimento Prisional do Montijo para serem lidas pelos alunos. Houve também espaço para uma pequena dramatização e as questões colocadas revelaram interesse e reflexão.

Parabéns à professora Cristina Guerreiro pelo trabalho desenvolvido e obrigada pelo convite. A 'História numa Garrafa' estará sempre onde a quiserem ler e ouvir.



Pequeno contributo intitulado “Uma escola Diferente” na Newsletter da AP Educação nas Prisões, aquando da visita ao Estabelecimento Prisional do Montijo, para ler e ouvir histórias da História numa Garrafa, a convite da professora Cristina Guerreiro. https://issuu.com/.../newsletter_n.__2__mar.../s/10437430



segunda-feira, 8 de junho de 2020


História numa Garrafa; Maria Saraiva de Menezes;
Tecto de Nuvens, 2018 (Junho)
Capa mole, 660 páginas, PVP 25€
ISBN: 9789895412822

SINOPSE:

A 'História numa Garrafa' reúne 1.095 'short stories' para adultos. São histórias de muitas vidas, de paixão, furor, solidão, depressão, felicidade, amor nas várias formas e guerra nas mais diversas vertentes. É uma viagem ao mundo interior do ser humano, viajando pelo mundo exterior e conhecendo tantas formas de personalidade quantas aquelas que a humanidade sabe manifestar. A autora Maria Saraiva de Menezes é reconhecida na arte do conto, da história curta e da novela, premiada nesta última categoria com o Prémio Literário AICL Açorianidade 2013. 
ENCOMENDAS DO LIVRO autografado à autora, com 20% de desconto: por aqui (especial desconto Blogger 30% - 17 euros em vez de 25 euros/660 páginas) ou mariademenezes@gmail.com, Linkedin @mariasaraivademenezes@gmail.com ou @HistórianumaGarrafa Facebook e Instagram.” 

Este livro começou por ser um ‘livro vivo’ numa página de Facebook e, posteriormente, no Instagram, onde a autora publicou uma história por dia, pontualmente, durante três anos, com fotografias de sua autoria. Destinam-se ao público adulto e vão ao encontro dos mais variados universos devido à variedade de temáticas. 

A autora e o livro foram alvo de reportagem no 'Literatura Aqui', na RTP2, programa 11, temporada 2, a 22/11/2016: http://www.rtp.pt/play/p2798/e260627/literatura-aquie na Antena 3, no programa 'Donas da Casa', com Ana Galvão, a 10/3/2017 e ainda, na Casa Raphael Baldaya, em Lisboa, onde realizou uma leitura pública de histórias, a 3/3/2018.



Encomende e receba em CASA, com dedicatória AUTOGRAFADA pela AUTORA. Faça o(s) seu(s) pedido(s) na página de Facebook ou Instagram @História numa garrafa ou através do e-mail mariademenezes@gmail.com📖
PVP: € 25 euros
20% desconto: € 20 euros
Desconto especial Blogger: € 17 euros


Oferta de portes de envio.
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PREFÁCIO:
"Acho que sempre conheci a Maria Saraiva de Menezes.
Na verdade não conheci, mas sinto-a na pele como se a tivesse conhecido. Talvez porque calcorreámos as mesmas ruas, as mesmas paisagens, debaixo do mesmo céu. Dez anos nos separam e, de facto, nunca nos tínhamos encontrado até ao convite para um livro de contos nos ter juntado. Posso dizer com propriedade que não foi o mesmo céu, mas sim o amor pela escrita que nos descobriu.
Quando a Maria me falou do projecto de “História numa garrafa” também eu fiquei entusiasmada, era uma ideia brilhante: pedaços de vidas, por vezes em pedaços, ou despedaçadas, peças em construção, um desafio imenso para ela e para nós, leitores, que desde a primeira impressão nos agarrou. Não só o projecto era bom, como as histórias eram magníficas: curtas, incisivas, sarcásticas, dolorosas, com princípio, meio e fim em meia dúzia de linhas. 
A Maria é sagaz, inteligente, persistente e organizada; durante três anos não falhou um dia, são 1095 dias e 1095 histórias acompanhadas de 1095 fotografias da sua autoria.
A mestria da sua escrita aplicada à sua perspicácia para ler mentes, tipologias, a sua formação filosófica e humanista cria um leque variado de vidas onde poucos escapam: o solitário, o convencido, o novo-rico, o deserdado da sorte, a viciada, a tímida, a dissidente, a distraída, a perdida, a fingida, a desgraçada, a bem relacionada, a mal intencionada, a ilusionista... a argamassa de todas as grandezas e falhanços deste mundo desfila numa tela imensa, que convida à imaginação a continuação da sua sorte, do seu infortúnio mesclado de sabores desconhecidos dos próprios personagens. Se são reais? Pois não sei, mas a verosimilhança com a realidade acontecida e a acontecer bem lhes pode dar essa prerrogativa: são reais, pois.
Nós, seres humanos, no nosso mundo intrincado e até de nós próprios desconhecido, criamos as expectativas mais torpes e mais sublimes, que cabem no tamanho de uma história escrita num pedacinho de papel, metido numa garrafa e lançada ao mar da vida, sem pejo nem pudor que aconteça algures connosco ou com outrém... A Maria encontrou centenas de mensagens à deriva em centenas de garrafas tão destemperadas, à solta, feridas, e codificou-as como uma comédia de costumes.
Que sorte para nós, leitores, podermos lê-las no remanso duns minutos, de uma vez, ou uma a uma cada dia, reunidas e acompanhadas de uma bela fotografia cheia de significado. Nada é ao acaso, a Maria na sua sarcástica e, por vezes, triste ironia, dá-lhes um fim sem medos, trágico, feroz, satírico e redondo. 
Eis, aqui tem, caro leitor, mais uma obra de arte, de que a natureza humana é feita, agarre-a, sorva-a, sirva-se e disfrute, é sua!
Agradeço às letras que nos juntaram, ao mesmo céu que viu desfilar as nossas emoções, no Alto Minho, na vila de Arcos de Valdevez, que nunca poderemos renegar, mesmo já distanciadas quer no tempo quer no espaço, mas cuja força perdura como a água fresca do rio Vez que ora em enxurrada invernosa, ora em lenta harmonia primaveril nos faz sonhar em cada história numa garrafa à deriva, talvez, quem sabe, no seu leito ou num semelhante."
 Paula Teixeira de Queiroz
Lisboa, 07.05.2018

Maria Saraiva de Menezes (1971, Porto) é professora e escritora. Licenciada em Filosofia, pela Universidade Católica Portuguesa, em 1998. Descendente de famílias do Minho e da Madeira, viveu no Minho durante a infância e adolescência e, entre 1987 e 1990, viveu em Macau, onde frequentou o primeiro ano do curso de Direito, na Universidade da Ásia Oriental. Vive em Lisboa. É casada e tem 3 filhos. Publicou 17 livros (poesia, ficção, etiqueta, pedagogia e infanto-juvenis). Realiza a HORA DO CONTO em escolas e bibliotecas com as suas histórias. Três dos seus contos infantis foram encenados e representados em Portugal (Teatro Bocage e Teatro Nacional Dona Maria II). Venceu o 1º Prémio Literário AICL Açorianidade 2013, com o livro «CHAPÉU DE CHUVA TRANSPARENTE, Crónica de um Amor sem Limites» e outros pequenos prémios e publicações. Criou a comunidade literária 'História numa Garrafa', um ‘livro vivo’, numa página de Facebook e Instagram, onde publicou, diariamente, uma história entre 2015 e 2018, agora publicado em suporte de papel e eBook. Criou posteriormente, a página 'História num copo d’água’, nas redes sociais, outro ‘livro vivo’, onde publica, semanalmente, uma história.


Encomendas e contacto com a autora: mariademenezes@gmail.com

quinta-feira, 21 de maio de 2020


Maria Saraiva de Menezes 
@historianumagarrafa

Escritores que vendem os próprios livros. 
“Mas tu é que vendes o teu próprio livro?”
Qual é o preconceito em relação a isto? Pois bem, não sei qual é, mas é enorme. Primeiro, há quem adore os descontos Fnac e Wook (sem ofensa) e só tenha esse formato na mente, desconhecendo outros meios de se chegar aos livros. Segundo, um escritor que anda a acarretar caixotes de livros não pode ser bom escritor. Terceiro, se se auto-publicou, então é porque não é mesmo bom. Auto-publicação, que diabo! O preconceito de que os livros se devem comprar nas livrarias (mas já se vendem no hipermercado!) e editar nas editoras com todos os intermediários associados ao processo leva a que se desconheça que do PVP (preço de venda ao público) de um livro, só 10% são para o escritor, pago uma vez ao ano (quando a editora e/ou livraria não entram em PER, falência ou simplesmente, contas atrasadas). Já me aconteceu. Poucos saberão que desse PVP, quase 60% são para a distribuição e 30% para a livraria. Mesmo assim as pobres livrarias não vendem quase nada porque as pessoas, em geral, não lêem, embora façam bicha para a Zara após 2 meses de quarentena. 


Assim, o escritor que se cansa de esperar que uma ou outra  editora alguma vez o queira publicar e avança para a auto-publicação, pagando os custos com a gráfica e a revisão e arregaça as mangas para a distribuição, não é bem visto. Os outros escritores, os ‘verdadeiros‘ fingem não o conhecer. Passam ao lado como se fosse transparente ou fora-da-lei. Para acrescentar algum tom dramático, a família e os amigos, provavelmente, não lhe reconhecem valor porque ’ninguém é profeta na sua terra’. Por isso, aqueles de quem poderia esperar algum apoio, não pode contar com ele (até porque existe também o preconceito de ´não cair bem´ vender livros aos amigos e à própria família. A esses esperar-se-ia que lho oferecesse, embora nada garanta que o queiram ler e que, efectivamente, o façam). 

Depois, o autor que também é agente de si próprio, recorre a jornalistas, a blogueres e influenciadores para partilharem a capa do livro nas redes sociais, ou jornal, com alguma palavrinha de incentivo, mas esses, imagine-se, também têm o preconceito da auto-publicação! No meu caso, a auto-publicação surgiu apenas após a crise económica de 2007-09 em que as editoras fecharam ou mergulharam numa depressão restritiva e já não havia esperança de ser publicada, mesmo após uma década a ‘publicaram-me’ 12 livros, o 1.º na Gradiva (mas isso não abriu portas), depois na Leya (curiosamente, não me levou para além do Pequeno livro da Etiqueta e outros 2); depois na Plátano, 3 livros (não me levou mais longe, como eu queria, com vários projectos de literatura infantil que ainda estão na gaveta). Era preciso mais. Então, ganhei um prémio literário (do qual não se noticiou senão num jornal regional online e nem o próprio sítio da DGLB que lançou a informação sobre o prémio, sequer emitiu a notícia do vencedor). Assim permaneci no conforto do anonimato mas também onde não se vendem livros porque "Não é conhecida!" Ganhei outros pequenos prémios, publicações aqui e ali, entrevistas na TV, festivais, feiras, etc. Note-se que o escritor é, por natureza, tímido e, no meu caso, tem horror à palavra ‘famosa’. Divulgar a informação do prémio ou livro nada tem a ver com desejo de protagonismo e ir à televisão pode ser penoso. Certa vez, chamaram-me ‘estrela’ na apresentação de um livro, mas em nada acertaram na minha vontade de fugir dali a sete pés. Noutra ocasião, elaborarei sobre a necessidade de o escritor ter de ser macaquinho de circo, acrobata de feira, maratonista de autógrafos e sobretudo, ‘estrela’ em programas da manhã. A verdade é que nada desse percurso serviu para me arrancar do destino de escrever para a gaveta (o que é muito bom, mas por vezes, ambiciona ver a luz). Cada vez que escrevia um livro enviava-o para apreciação para umas 70 editoras, no mínimo. Nunca obtive respostas. 

Quem está no meio sabe a luta hercúlea que é a dos editores em prol da literatura e da cultura. Palmas para eles que fazem tudo com fé no leitor/comprador e naturalmente não podem correr riscos com ilustres (escritores) desconhecidos. Quando publico um livro, sabem os do meio que é como ter um filho, embora isso a muitos nada interesse. Quem é de fora do meio não faz ideia desta acrobacia que é chegar ao prelo e, por isso, podem achar estranho e fazem aquela pergunta, desconfiados: “Mas tu é que vendes o teu próprio livro?” Pois sim, para não desistir, para não baixar os braços, sim sou eu que faço tudo! E se fica mal andar a contar o troco, paciência. E se me parecer com um merceeiro, paciência. E sim, também faço descontos, ofereço os portes de envio em prejuízo próprio, compro envelopes, pago IVA, entrego em mão. E se me torno repetitiva nas redes sociais, é porque ainda não os vendi, desculpem se sou chata (ou 'xata' como já me chamaram) e se patrocino (pago) publicações, é porque não chega quem lhes faz ‘gosto’ no Facebook e Instagram. Não estou a promover-me a mim própria mas a tentar que o projecto não fracasse. Vou à luta, salto, faço e vendo, mesmo que caia mal na mente do preconceito instalado contra a inversão de paradigmas. Aliás, como em tudo na vida, “Quem quer vai, quem não quer, manda.” 


Curiosamente, há outros preconceitos, para além da auto-publicação, o de que se o livro é apoiado por um município, então não é bom e outras pedradas no percurso de quem se quer fazer, independentemente do veredicto: “É impossível; desiste”. Nas editoras, normalmente com a corda ao pescoço, não entra escritor novo, e durante anos só se republicam os clássicos salvaguardados pelo PNL (plano nacional de leitura), porque assim, ‘que chatice’, dizem alguns, ‘a professora diz que tem de se comprar os livros e não se pode fotocopiar devido àquela ‘mania estranha dos direitos de autor’. Generalizando demasiado, em Portugal só se lê porque é obrigatório na escola. Há quem tenha lido o seu último livro no 12° ano. Claro, há excepções. Conheço pessoas que lêem tanto e tão bem que nunca arriscariam ler um livro meu. Mas a norma resume-se a esta frase que uma vez ouvi da boca de um jovem casal e nunca mais esqueci, com o desgosto: “Nós não lemos”. 
Maria Saraiva de Menezes





Encomendas do livro ‘História numa Garrafa’ (1095 ‘short stories’, 660 páginas, €22,50) 10% desconto e oferta de portes, autografado. Edição limitada). Pedidos para mariademenezes@gmail.com ou @historianumagarrafa (Facebook e Instagram).

Mais informações sobre o livro neste blogue (sinopse e prefácio. Biografia na coluna lateral direita).

sexta-feira, 5 de abril de 2019

O Pequeno livro da ETIQUETA e Bom Senso

‘Sra. Maria’? Ou não será ‘D. Maria’? Ou será ‘Sra.D. Maria? Ou ‘sodona’ Maria? Descubra tudo no capítulo Formas de tratamento’ no ‘Pequeno Livro da Etiqueta e Bom Senso’.
(para adultos).



Cabe na palma da mão e traz 501 conselhos de etiqueta para o leitor brilhar em qualquer ocasião.

Eis um pequeno manual de etiqueta para o dia-a-dia, que constitui simultaneamente uma leve crítica aos parcos hábitos de civismo dos cidadãos, passando pelo comportamento ecológico, ao comportamento na estrada, sem esquecer as relações sociais, como estar à mesa ou saber receber uma pessoa.

À  venda nas livrarias (Portugal e Brasil) 
https://www.leyaonline.com/pt/livros/desenvolvimento-pessoal/o-pequeno-livro-da-etiqueta-e-bom-senso/

O Pequeno livro da ETIQUETA e Bom Senso, Maria Saraiva de Menezes

ISBN: 9789722037563Editor: Livros d'HojeDimensões: 75 x 119 x 9 mm

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

DISCURSO DE ACEITAÇÃO DO PRÉMIO LITERÁRIO AÇORIANIDADE 2013



É uma honra receber este PRÉMIO LITERÁRIO AICL AÇORIANIDADE 2013 com o meu CHAPÉU DE CHUVA TRANSPARENTE, CRÓNICA DE UM AMOR SEM LIMITES. Segundo pesquisei, o conceito de "Açorianidade literária" foi definido por Vitorino Nemésio, na revista Insula, em 1932 e, desde então, foi amplamente divulgado em contextos bem diferenciados, desde estudos de âmbito literário a intervenções de ordem política. Este meu conto/narrativa nasce precisamente da arte de captar as características intangíveis e indefiníveis da Açorianidade e do sentimento de insularidade, expressos através de uma mundividência peculiar, visíveis através do sentimento de angústia metafísica ou de um «je ne sais quoi» existencialista, ou do tal sentimento do emparedado, ante a solidão e a distância.
A partir da minha ilha interior transporto-me para qualquer ilha física ou imaginária. Enquanto autora, viajei pelas ilhas açorianas; Madeira; Reino Unido, Japão e por ilhas da China. A insularidade cresceu em mim, literariamente, mas sobretudo na alma, e sobrepôs-se às minhas vivências. Nesta narrativa, o sentimento insular mescla-se com fragmentos biográficos da infância, recria-se numa ficção biografada e cresce com as personagens. As personagens, no entanto, quase que se descartam em prol das emoções, assumindo estas o controlo da narrativa e tornando-se, elas próprias – as emoções - personagens principais de uma história sem fim.

Esta crónica é uma viagem aos lugares da infância, reais e imaginários, sentidos e inventados; uma viagem num só fôlego e sem regresso. Em CHAPÉU DE CHUVA TRANSPARENTE não há regresso do crescimento nem da morte quando morre a mãe e a alma gémea do narrador. A morte na ficção, por vezes, pode ser mais cruel do que na própria vida, e por isso, estas mortes roubam toda e qualquer esperança ao narrador-personagem. E não há mais esperança senão a de continuar a respirar, rodeando-se de amor. CRÓNICA DE UM AMOR SEM LIMITES é, pois, o subtítulo, ancorando-se num chapéu de chuva transparente que atravessa toda a história e simboliza uma protecção insuficiente mas dinâmica; afinal, o retrato da vida humana.

Aqui, a expressão do sentimento de insularidade afirma-se numa tríade de emoções que toma forma numa tríade de ilhas: a ilha vulcânica onde a criança é exilada; a ilha interior que emerge do sentimento de abandono da criança face à ausência da mãe; e por fim, a ilha-promessa ou ilha-utopia, que é o lugar onírico onde a criança se reunirá com o seu alter-ego e que simboliza a visão salvífica do inferno na terra. Porém, a ilha-utopia não chegará a encontrar o seu topos, o seu lugar real. A vida e esta história encarregam-se de apagar esse sonho quimérico. Resta o sentimento latente de insularidade, moldando personagens dentro de personagens, votando-as ao abandono, à solidão, mas lançando-as numa esperança que nasce aqui de um passado já vivido.

« A casa da ilha era o desterro onde vivia a outra avó a avó da ilha. Antes da avó do norte ou das camélias eu tinha sido despachada para a ilha uma espécie de prisão provisória mas onde havia umas tias boas de mais para serem verdade. Na verdade a Teté e a Dé eram demasiado boas apenas para aliviarem em mim o sentimento de exílio e o sofrimento a ele adjacente. Na realidade não se tratava de um exílio era mais como se fosse uma morte em vida o que equivale a perder a mãe quando ainda se é demasiado criança para se compreender seja o que for. Mãe é respirar é viver é ser. Eu a era a morte em vida da minha mãe.» in Chapéu de Chuva Transparente (...)
Quando visitei os Açores há uns anos, senti-os de imediato como um local mágico que tinha de escrever. Escrever os Açores é recuperar a alma, respirar e logo a seguir perder o fôlego. É preciso escrever os Açores como todas as ilhas dentro de nós. Por isso, a partir da minha ilha interior transporto-me para qualquer ilha física ou imaginária. O escritor precisa de transformar o que vê e o que sente em palavras, para finalmente poder respirar e encontrar paz. Antes de escrever esta narrativa, eu não sabia que o que sentia era… AÇORIANIDADE.

«A casa da ilha fica fechada entre as montanhas que a encerram como se fossem quatro paredes e mais algumas por detrás das primeiras. Sinto um vulcão respirar entre aquela massa montanhosa escura como se toda a solidão do mundo coubesse ali dentro das nossas vidas. Olha-se à volta e não se vê mundo, não há horizonte apenas prisão e uma grande falta de ar. A Dorinhas está outra vez com ansiedade custa-lhe a respirar diz a Teté anda vamos rezar ao Menino Jesus. E ali habita uma sucessão de gerações de mulheres sobreviventes de uma ilha sem salvação. A única coisa possível é o amor entre elas mas os dias sucedem-se com uma banalidade demolidora e o amanhã não é redentor para ninguém. Á volta da casa o quintal à volta do quintal os campos de vinha à volta das vinhas as montanhas e à volta das montanhas das montanhas o mar. O mar isola-nos inexplicavelmente de uma maneira que só é possível sentindo o choro da alma. A Dorinhas está outra vez com ansiedade custa-lhe a respirar diz a Teté e então a avó da ilha sorri e coloca-me a mão no peito e murmura palavras estranhas com odor a rapé. As palavras murmuradas entredentes pela avó da ilha parecem uma lengalenga mágica e a partir desse dia a escuridão da montanha já não era tão escura embora nunca deixasse de ser montanha. A avó da ilha também era uma ilha dentro duma ilha.» in Chapéu de Chuva Transparente (...)
Nesta narrativa quase tão mágica quanto as palavras sibilinas murmuradas por uma avó mistério, as palavras são como um berço que embala a criança que chora. No meio do silêncio, só as palavras podem calar o uivo do choro jamais libertado, só as palavras livres e independentes podem conferir alguma liberdade a tal condição de isolamento e desolação. Por isso, as palavras são criadas ao sabor do medo e da esperança; surgindo de ímpetos arrancados como que do fundo do peito. Por essa razão, surgem nesta narrativa neologismos livres e uma sintaxe redentora, assim como uma grafia rebelde e experimentalista. Perante a cadência das emoções, que marcham ao longo de uma narrativa que se pretende livre, é premente remover todos os obstáculos do caminho, tais como vírgulas, pontos, parágrafos, travessões de diálogo e pontos de interrogação. O discurso emana duma interrogação permanente e as palavras são aqui a salvação da alma.

Para mim, enquanto autora, a grafia rebelde e experimentalista passou aqui pela experimentação da utilização do AO/90 (acordo ortográfico de 1990) como paradoxal e irónica forma de protesto. Aqui, o uso do AO/90 serviu como forma de exorcizar barreiras entrando num mundo novo, mas sem alicerces e descartável. Afinal, todas as palavras são descartáveis depois de derramadas as lágrimas, depois de atiradas as palavras contra as paredes do vulcão que sufocam a criança na ilha.

O discurso fluido e sem pontuação, assim como as palavras destituídas de consoantes mudas e de hífenes, assumem uma fluidez para além das normas do latim e do espartilho da etimologia; a semântica sobrepõe-se às regras gráficas, ortográficas e de pontuação, dominando em força e reforçando o seu domínio através de neologismos criados directamente através da força emotiva que as expele.
Esta é pois uma narrativa que transcende todas as normas, à semelhança do estado de desvantagem – ou será de vantagem? – em que o sentimento de insularidade coloca o sujeito. E é porque esta narrativa transcende todas as normas, que a utilização do AO/90 e a escrita livre saramaguiana tomam valor de recurso estilístico, expressando uma escrita livre ou libertária, pois destituída de pontuação, de indicação de diálogos e das próprias raízes da etimologia clássica.

O assumido caos ortográfico demonstra a inquietude das emoções/personagens principais; um caos que retira palavras do seu contexto etimológico e cultural, rompendo ligações com as raízes gregas e latinas da língua, impondo a desfragmentação da língua portuguesa, na sua variante europeia. Perfila-se aqui um símbolo do desabar da matriz linguística, qual referência a uma mãe perdida. A morte da mãe, fatal nesta narrativa, radica em todos os aspectos do desabamento da infância, da vida, da família, da Língua, da ortografia.

Comecei a escrever CHAPÉU DE CHUVA TRANSPARENTE e não sabia que o texto viria ter comigo sem pontuação nem que me faria experimentalista do AO/90 – eu que me afirmo contra o absurdo decepar de consoantes com sua indispensável função diacrítica. Quando esta narrativa se me impôs para que eu a escrevesse, não sabia que viria sem vírgulas, sem pontos, sem diálogos e sem consoantes mudas. É um lugar-comum dizê-lo, mas fui escolhida como intermediária desse processo literário que ultrapassa sempre o seu autor – e que normalmente tem sempre algo de importante a dizer ao autor. Fui empurrada pela catarse da criatividade literária, mergulhando num limbo de memórias, ficções e emoções onde não existe espaço para a pausa nem para a vírgula. Assim, os diálogos surgem dentro dos pensamentos e os pensamentos surgem entrelaçados com as falas de episódios de uma história que se enreda em tantas. Esta libertação de todas as amarras, linguísticas, sintácticas e ortográficas é a própria força do processo criativo, porquanto rebenta com essas mesmas amarras, experimenta ser um ser diferente, ignora os dogmas e pretende apenas… respirar por entre linhas.

«Se outros tantos autores sagrados ou apenas consagrados podem porque é que eu não hei de poder? Se inventam palavras as torcem e distorcem refazem a sintaxe recriam a vida e as emoções nas frases que dedilham porque hei de eu ser alertada olhe que isto não se escreve assim vou dizer ao revisor para cortar você não pode escrever piqueno nem inventar desgramado essa palavra não existe e onde está a pontuação a senhora julga-se alguma sara maga? Ora não só posso como escorraço qualquer revisor que se aproxime do meu texto. O texto é meu das minhas entranhas do meu sopro do meu pulsar. Não é nenhum corpo para um revisor autopsiar. Ou não me chame eu Ricardo e tenha um projeto a dois para inventar um país. E antes que me venham impor um acordo ortográfico aqui está ele ainda mais papista do que o papa para que provem do vosso veneno. Esta é uma viagem às emoções humanas e cada paragem são episódios de uma vida que são tantas. Quem não quiser embarcar é desde já convidado a sair.» in Chapéu de Chuva Transparente (...)
É pois uma honra receber este prémio literário, em nome da literatura e da lusofonia, porque valorizo uma lusofonia cuja maior riqueza são as múltiplas diferenças e a unidade na diversidade. A riqueza da Língua portuguesa enquanto versão europeia releva do carácter histórico e etimológico que nos liga às línguas clássicas, unindo as famílias de palavras e fazendo sentido na sua fundamentação ontológica. Por outro lado, a riqueza do Português enquanto versão brasileira releva do seu carácter inovador, demiurgo de palavras e expressões culturais únicas e por isso mesmo, regionais e específicas. Não queiramos ler um Saramago escrito em Português do Brasil nem um Jorge Amado aportuguesado. Não quero ler Pepetela com sotaque de Cascais nem Mia Couto com ortografia proveniente de uma utópica pronúncia culta. A riqueza da Lusofonia é a sua idiossincrasia, não uma Língua de lei que foi resolvida em conselho de ministros e nasceu numa fábrica ortográfica. A Língua é um organismo vivo, sujeito à evolução por via erudita e popular; não faz sentido descaracterizá-la numa unidade das escritas lusófonas, destituindo-a de tudo o que tem de único e diferente. É único e não-formatável o maravilhoso Português de Angola, o de Moçambique, de Cabo Verde, de São Tomé e Príncipe, de Goa, de Timor, de Macau e do Brasil – assim como o são as 18 variantes do Inglês, nenhuma delas silenciada com a unificação ortográfica. A matriz da língua é a garantia de que essa diversidade poderá remeter-se à unidade sem que incorra no abismo da descaracterização da Língua. Há que preservar a matriz.
É, por fim, uma honra receber este PRÉMIO LITERÁRIO AICL AÇORIANIDADE das mãos da AICL, ASSOCIAÇÃO INTERNACIONAL DOS COLÓQUIOS DA LUSOFONIA”, cujos princípios e objectivos são «um movimento cultural e cívico que visa mobilizar e representar a sociedade civil de todo o mundo, para pensar e debater amplamente, de forma científica, a nossa fala comum: a Língua Portuguesa.» E afirma no ponto 6. «Em defesa da Lusofonia, defendemos a nossa identidade como pessoas e povos, e em prol da variada língua comum com todas as suas variantes e idiossincrasias, impedindo que outras culturas e outros povos nos dominem cultural, económica ou politicamente, como alguns, ostensiva e claramente, defendem.»
                                                                            
Bem-haja aos defensores da Língua portuguesa, da Lusofonia e de todas as suas variantes e idiossincrasias, na preservação da matriz da Língua portuguesa, viva e múltipla. Viva a literatura. Viva a Língua portuguesa. Obrigada.


Maria Saraiva de Menezes
Lisboa, 18 de Outubro de 2013

NOTA: A autora escreve de acordo com a antiga ortografia de 1945. Contudo, neste livro, a autora escreve segundo o novo acordo ortográfico de 1990, paradoxalmente, como forma de protesto. A sintaxe livre, ausência de pontuação e de indicação de diálogos são também, aqui, opção da autora.


SINOPSE: Maria das Dores, fidalga decaída em solidão e abandono, é uma psicoterapeuta que se auto-analisa através dos seus pacientes. Diariamente no fio da navalha, apenas se salva através da tábua da memória. Porém, tudo o que é passado é morte e por isso, todos os anos "é Natal e isso dói mais do que uma dor física". Maria das Dores tem vários nomes ou nenhum, e também foi um rapaz chamado Ricardo, mas às vezes ainda passa por isso. A personagem nunca teve mãe e talvez por isso lhe custasse respirar. A ilha é o abandono dentro de si, como uma bóia meio-vazia, à deriva. Maria das Dores recuperou a sua identidade só até ter perdido para a morte a única pessoa capaz de a salvar. E como à infância sucede a fase adulta, tenta não esquecer a chucha nem o ratinho perdido. 

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