sexta-feira, 28 de março de 2008

Livro "30 Conselhos para Educar o seu Filho"

O livro 30 Conselhos para Educar o seu Filho, de Maria Saraiva de Menezes, Plátano Editora, Novembro 2007 (1ª edição) / Abril 2008 (2ª edição), é um sinal dos tempos. Sinal da crise da educação: em casa e na escola. Nós, professores, sentimos quando um aluno cresceu num meio familiar em que a crise de autoridade o desestruturou. São crianças que não reconhecem um NÃO, que não acatam uma directriz dum professor, dum polícia, de um auxiliar de educação. A crise da autoridade está a minar a nossa sociedade de forma avassaladora. Citando o blogue do professor Francisco Trindade, no artigo intitulado "Aumento da violência nas escolas reflecte crise de autoridade familiar"*Especialistas em educação reunidos na cidade espanhola de Valência defenderam hoje que o aumento da violência escolar deve-se, em parte, a uma crise de autoridade familiar, pelo facto de os pais renunciarem a impor disciplina aos filhos, remetendo essa responsabilidade para os professores. Os participantes no encontro "Família e Escola: um espaço de convivência", dedicado a analisar a importância da família como agente educativo, consideram que é necessário evitar que todo o peso da autoridade sobre os menores recaia nas escolas."As crianças não encontram em casa a figura de autoridade", que é um elemento fundamental para o seu crescimento, disse o filósofo Fernando Savater."As famílias não são o que eram antes e hoje o único meio com que muitas crianças contactam é a televisão, que está sempre em casa", sublinhou. Para Savater, os pais continuam "a não querer assumir qualquer autoridade", preferindo que o pouco tempo que passam com os filhos "seja alegre" e sem conflitos e empurrando o papel de disciplinador quase exclusivamente para os professores. No entanto, e quando os professores tentam exercer esse papel disciplinador, "são os próprios pais e mães que não exerceram essa autoridade sobre os filhos que tentam exercê-la sobre os professores, confrontando-os", acusa. "O abandono da sua responsabilidade retira aos pais a possibilidade de protestar e exigir depois. Quem não começa por tentar defender a harmonia no seu ambiente, não tem razão para depois se ir queixar", sublinha. Há professores que são "vítimas nas mãos dos alunos". Savater acusa igualmente as famílias de pensarem que "ao pagar uma escola" deixa de ser necessário impor responsabilidade, alertando para a situação de muitos professores que estão "psicologicamente esgotados" e que se transformam "em autênticas vítimas nas mãos dos alunos".A liberdade, afirma, "exige uma componente de disciplina" que obriga a que os docentes não estejam desamparados e sem apoio, nomeadamente das famílias e da sociedade."A boa educação é cara, mas a má educação é muito mais cara", afirma, recomendando aos pais que transmitam aos seus filhos a importância da escola e a importância que é receber uma educação, "uma oportunidade e um privilégio"."Em algum momento das suas vidas, as crianças vão confrontar-se com a disciplina", frisa Fernando Savater. Em conversa com jornalistas, o filósofo explicou que é essencial perceber que as crianças não são hoje mais violentas ou mais indisciplinadas do que antes; o problema é que "têm menos respeito pela autoridade dos mais velhos". "Deixaram de ver os adultos como fontes de experiência e de ensinamento para os passarem a ver como uma fonte de incómodo. Isso leva-os à rebeldia", afirmou. Daí que, mais do que reformas dos códigos legislativos ou das normas em vigor, é essencial envolver toda a sociedade, admitindo Savater que "mais vale dar uma palmada, no momento certo" do que permitir as situações que depois se criam. Como alternativa à palmada, o filósofo recomenda a supressão de privilégios e o alargamento dos deveres. *difundido pela LUSA.

O livro 30 Conselhos para Educar o seu Filho segue esta linha orientadora do filósofo da Ética para um Jovem, Editorial Presença, reforçada pelo Prof. Daniel Sampaio no seu último livro Lavrar o Mar, Caminho. O que mais me chamou a atenção no livro do Professor Daniel Sampaio foi o facto de o meu livro se identificar com as suas ideias basilares para a educação de um jovem: a importância das regras e a contenção nas gratificações. Com efeito, hoje em dia assistimos ao excesso de gratificações aos jovens: e não são os antigos prémios pela passagem de ano, são presentes por cada período e por cada teste com nota razoável. Ou seja, um ipod pela nota de Matemática, uma playstation pela nota de Ciências, o novo modelo de telemóvel pelo trabalho de Área Projecto (que até foi descarregado da net...) A explicação para esta atitude (perigosa) levada a cabo por certos pais reside no facto da sua ausência na vida dos filhos. Demasiado ocupados a trabalhar para que não falte nada aos rebentos, eis que acaba por lhes faltar o essencial: os próprios pais, a relação pai-filho, uma conversa, um jogo de xadrez, um desabafo, um carinho. Se virmos bem, os jovens estão a desaprender as relações afectivas, substituíndo-as pela compensação material. Sem um cenário familiar para desenvolverem essas relações, tornam-se uma espécie de autistas agarrrados aos fones dos seus gadgets. Essas engenhocas são afinal, o objecto afectivo, o urso de peluche no qual se reflectem os pais ausentes. Por isso é que afirmo no meu livro 30 Conselhos para Educar o seu Filho, que "o consumismo enfraquece as relações entre pais e filhos; é importante ver se, por trás de tudo o que pode comprar, ainda sobra algo de si próprio para dar."
Efectivamente, o excesso de gratificações acaba por matar o desejo, conduzindo a depressões já na adolescência. É certo que receber tudo de bandeja mata o espírito de luta, de conquista; acaba com o sonho, com o desejo. Para vencer na vida, é necessário sonhar, desejar, conquistar, LUTAR.

Suprimir a vontade de conquistar é formar pequenos tiranos: exigentes, caprichosos, temperamentais e infelizes. Ser pai é, acima de tudo ser um educador; não um ADULADOR. Adoçar a boca sabe bem a ambas as partes, alimenta o ego de pais ausentes soterrados pela culpa. Educar custa, pois contraria a vontade de compensar as carências de parte a parte. Mas é necessário ser sensato e seguir um modelo de educação assente em valores sólidos. Sugiro-vos, pois, o meu pequeno livro, do qual vos deixo um excerto e o índice.
*
Preço de venda ao público: 6,45.
ÍNDICE do livro 30 Conselhos para Educar o seu Filho:

DAR MUITO MIMO
SER FIRME
ESTABELECER HORÁRIOS
A IMPORTÂNCIA DA REGRAS
NÓS E A TELEVISÃO
GULOSEIMAS
CASTIGOS
REMORSOS
BIRRAS
CIÚMES DO BEBÉ
RESPEITAR A DIGNIDADE
SABER DIALOGAR
PERDOAR
TAREFAS DOMÉSTICAS
AUTONOMIA
ATRAVESSAR A RUA
ACIDENTES DOMÉSTICOS
O TESOURO DO EU
PROMOVER A AUTO-ESTIMA
COMO APROVEITAR AS FÉRIAS
PASSEIOS EM FAMÍLIA
A REFEIÇÃO
DATAS ESPECIAIS
ALIMENTAÇÃO
DESPORTO E INSTRUMENTOS MUSICAIS
O CONSUMISMO
SEMANANA OU MESADA
MOTIVAR PARA A LEITURA
EDUCAÇÃO SEXUAL

DEIXÁ-LOS CRESCER
"No complemento directo do mimo está a firmeza de princípios. O mimo não os estraga quando os pais são coerentes, firmes e justos. Se houver firmeza nas regras, as crianças conhecem os limites da sua actuação. Segundo especialistas, as regras fazem as crianças felizes, pois elas assim sabem até onde podem ir, sabem que serão castigadas se desobedecerem, mas serão recompensadas se cumprirem. Essa recompensa deve ser um reconhecimento das suas capacidades, feito através do elogio público (familiar) e da referência das qualidades da criança. Ser firme não é, portanto, esmagar a personalidade da criança com regras ditatoriais, mas ajudar a construir o seu sentido de responsabilidade e a sua auto-estima para que se torne numa pessoa autónoma e feliz."

Maria Saraiva de Menezes
Poderá adquirir o livro através de:
Palestras da autora sobre o livro:
Colégio de S. Mamede, Batalha, 9 Abril 2015, 18h30. 
Paróquia de S. Domingos de Benfica, Lisboa, 9 Maio 2011, 19h30. 

6 comentários:

Anónimo disse...

Não há desculpas para não se ler e reler este livro. Eu não descansei enquanto não cheguei ao fim (já de madrugada!). O que mais me agrada é a coerência dos conselhos apresentados: o mimo, o Não, o respeito pela dignidade do Eu (tão negligenciado), o amor pela literatura e o perdão. E muitas outras coisas mais... que nunca é demais mencionar a bem dos nossos filhos.
Bem haja à autora por nos proporcionar momentos de prazer e divertimento,por nos abrir as portas da sua casa e partilhar connosco a alegria e a "dor" de sermos pais.
Recomendo sem reservas.

Sílvia Dória

Anónimo disse...

Maria,
Já li o 30 conselhos e até tomei a liberdade de deixar um pequeno comentário no teu blogue, que espero seja do teu agrado.

Claro que há muito mais a dizer mas não quis deixar um testamento!! Fizeste-me ficar acordada a ler até de madrugada!!! É no entanto para reler muitas vezes. Revi-me no teu livro como mãe... o que é muito bom. Creio que um dia o meu filho me irá agradecer, entre outras leituras, por ter lido o teu livro. E ele que adora livros!!! Nunca adormece sem ler uma história.

Um abraço forte,

Sílvia

Anónimo disse...

Boa tarde,

Antes de mais quero dar-lhe os parabéns pelo livro. Gostei bastante. É simples e muito prático.
O motivo deste email é pelo seguinte: infelizmente na infância não tive regras, afecto, carinho. Agora que tenho dois filhos, um com 12 anos e outro com 6 anos, estou a ficar um pouco aflita e sinto-me frustrada porque não consigo colocar a "casa" em ordem. Se me pudesse ajudar, até podia ir ter consigo e conversar um pouco, se tal fosse preciso. Envio-lhe em anexo o meu dia-a-dia.

Agradecia que me pudesse responder.

Um abraço, sandra f.

Maria Saraiva de Menezes disse...

Cara Sandra,Obrigada pelo seu contacto na sequência do meu livro.Agradeço a forma sincera como relatou o seu dia-a-dia e vejo que está a sofrer com a frustração.Terei todo o gosto em dar-lhe aqui uns conselhos, mas aconselho-a sinceramente a fazer algumas sessões de psicoterapia familiar com o seu mais velho, uma vez que se sente frustrada, cansada e com a sensação de que nada funciona. 1- O seu mais velho está, tal como o meu de 12 anos, na chamada crise da pré-adolescência: tudo é uma seca, inclusive os próprios pais; só quer a via mais fácil da TV e/ou computador; compete afectivamente com o irmão mas está também um pouco perdido naquilo que sente ou deseja. Daí a necessidade de algumas sessões de psicoterapia. Como mãe, tb é importante algumas sessões para si pois deve ultrapassar esse sofrimento e culpa.Acredite que não está sozinha, muitas mães - incluindo eu própria nos piores dias - sofrem com a confusão em que a vida parece ter-se tornado.2- Daí ser absolutamente imprescindível ter regras e ser firme com elas. Essas regras devem vir desde a infância pq senão eles dizem que é injusto e os outros pais é que são bons. Como compreendo, é-lhe difícil ser firme e lembrar-se de as aplicar, mas por isso comece por definir apenas 3 - que eu aplico religiosamente cá em casa: 1-Não há televisão durante a semana (só de 6ª à tarde até domingo até às 15h); 2-Não há videojogos nem telemoveis durante a semana (por isso recolha-os no domingo à tarde e só os entregue na 6ª à tarde. 3- Para não dizerem que não têm o que fazer, quando chegam a casa, depois do banho e dos trabalhos de casa, ponha-os a reler a matéria do caderno e do manual, a resumir ou a copiar. Se não tiverem matéria, ponha-os a escrever as tabuadas, fazer contas e a ler um livro.Estas regras não devem ser só aplicadas ao mais velho, mas aos dois e nunca os deixe a trabalhar no mesmo quarto: separe-os e marque uma hora em que podem acabar e ficar livres para por a mesa ou ajudá-la com o jantar.E ninguém janta sem ter o quarto arrumado. Estas regras são de ouro.Se for firme na sua implementação não terá que gritar e ameaçar. Sentir-se-á segura e terá paz. Mas é importante que antes de "impôr" estas regras, tenha uma conversa com eles explicando pq é que as coisas vão mudar aí em casa. Diga-lhes que não é um castigo, mas para o bem deles.Os meus compreendem e aceitam com facilidade porque isso aconteceu desde sempre. Nunca me desafiam porque já sabem que regra é regra. Faço os mesmo com as guloseimas: só de 6ª à tarde a Domingo. Lembre-se de q o mais importante a par das regras é a atenção que vc dá aos seus filhos. Para que eles não sintam que não gostamos deles é muito importante aquilo que eu tb sugiro no meu livro: "A HORA DO MIMINHO". Como tem 2 filhos, dia sim dia não recebe um deles no seu quarto, depois de o outro já estar deitado. Esse momento é único e exclusivo para cada filho em separado (No principio eles vão reclamar quando não for a vez deles, seja firme e meiga, diga que amanhã é só para ele e não para o irmão).O que fazer nesta meia hora:CONVERSAR: como correu o dia do filho, com que amigos brincou, ouvi-lo, deixá-lo falar, dizer-lhe que o ama muito, abraçá-lo, contar-lhe coisas engraçadas de quando ele era bebé, dizer-lhe que ele é único, apesar do irmão,...enfim, descontraídos na sua cama, com a mãe só para eles, vão sentir-se reis e vc vai dormir feliz. Acredito que vai conseguir manter estas 3 regras. Nunca, mas nunca abra excepções. É claro que um pouco antes do jantar deve deixá-los brincar um com o outro, mas nunca à frente da televisão e muito menos a ver essa novela que tem péssimas influências a nível comportamental. E quanto ao seu marido, ele que leia o meu livro, pois o pai deve estar em consonância com a mãe quanto às regras. Ele pode ver as notícias das 21h quando os filhos se vão deitar e enquanto vc está no miminho com um deles. Nunca ver telejornal à mesa!
Um grande abraço e espero novidades

Anónimo disse...

Boa noite...

Gostaria primeiro que tudo de lhe dar os parabéns pelo seu livro "30 conselhos" porque simplesmente adorei!

Já tentei procurar em várias livrarias outros livros seus que gostaria de adquir e não os encontro.

O pequeno livro da mãe galinha" e "O pequeno livro da etiqueta e bom senso"......
Poderá ajudar-me?

Muito Obrigada

Mafalda Borges Coito

Maria Saraiva de Menezes disse...

Bom Dia,
Muito obrigada pelo seu comentário ao meu livro. Fico satisfeita por ter correspondido ao que procurava.
Quanto aos outros livros - de que lhe deixo lista em baixo - poderá adquiri qualquer um através da internet na livraria portuguesa www.wook.pt , por exemplo, ou pode dirigir-se a qualquer livraria e encomendar que eles mandam vir entre 2 a 3 dias.Pode tb optar por pedir por telefone ou pela net a cada uma das editoras e estas enviarem à cobrança.
Um abraço e até sempre,
--
Maria Saraiva de Menezes
Visite o meu BLOGUE com novidades do último LIVRO:
http://educacaoliteraturaecultura.blogspot.com